A confiança que temos em nós reflete-se em grande parte na confiança que temos nos outros.

Necessidades Humanas Básicas


As necessidades humanas são reais e estão hierarquizadas.

 

Segundo A. Maslow*, ás necessidades fisiológicas (fome, sede, sono, abrigo,…) seguem-se as de segurança (do corpo, da família, da moralidade, da propriedade,…), estas, antes de todas aquelas que têm um papel central na realização e afirmação pessoal (necessidades sociais, de “status” e estima, de auto-realização).

 

Assim, é essencial ao processo de desenvolvimento e afirmação pessoal que as necessidades básicas de segurança estejam asseguradas.

 

Nas nossas sociedades, as questões de segurança são complexas e envolvem uma panóplia considerável de meios humanos e tecnológicos.

 

Mas deveremos deixar a satisfação de tais necessidades apenas entregues às organizações públicas e privadas vocacionadas para o efeito?

 

Não poderá cada um de nós, fazer algo mais? Não deveremos fazê-lo?

 

 Que poderá cada um de nós fazer para ajudar a libertar o tecido social, especialmente no espaço público, da pressão que é sentir de forma demasiado presente, a insegurança, a qual constitui um “stress de fundo”, que nos desgasta e retira qualidade de vida?

 

Julgo que a acção directa de cada um de nós, cidadão, pode ser decisiva para valorizar a Confiança mútua na sociedade, atenuando ou limitando, a quase inevitável desumanização progressiva das sociedades.

 

A não acontecer a intervenção directa dos cidadãos, de cada pessoa, as vias para a desumanização social serão cada vez mais persistentes, e a prazo, porventura incontroláveis tanto pela acção do crime, como pela acção das instituições públicas e privadas, nomeadamente as grandes empresas e dos Estados, que no seu afã de regulamentar para proteger, nos transformam em indivíduos numerados, e catalogados, que devem ter comportamentos cada vez mais tipificados e previsíveis, de cujo padrão será cada vez mais difícil afastarmo-nos, sem ser considerada ilegal, ou no mínimo anómala, a nossa conduta.

 

Segurança não tem de ser sinónimo de igualização de padrões de comportamento.

 

Ao aceitar a padronização inquietante de comportamentos e condutas, resultante da implementação de procedimentos de segurança cada vez mais disseminados no quotidiano, estaremos porventura a desferir golpes definitivos na afirmação das necessidades humanas básicas a desenvolver, uma vez satisfeitas as necessidades fisiológicas e de segurança.

 

A saber, as necessidades sociais de estima, afecto e auto-realização.

 

Será o que desejamos? Será o que merecemos?

 

*Abraham Maslow (1 de Abril de 1908Nova Iorque — 8 de Junho de 1970Califórnia) foi um psicólogo americano, conhecido pela proposta hierarquia de necessidades de Maslow. Trabalhou no MIT, fundando o centro de pesquisa National Laboratories for Group Dynamics.