A confiança que temos em nós reflete-se em grande parte na confiança que temos nos outros.

Contexto


Basta olhar à nossa volta, para ver e sentir que a Confiança é um sentimento frágil, que escasseia nas nossas cidades.


Que, demasiadas vezes, a desconfiança prevalece nos espaços públicos das mesmas.


Muitas vezes de uma forma vaga, ou seja não especificamente focada neste ou naquele indivíduo, neste ou naquele aspecto, a desconfiança abrange todavia, em maior ou menor grau, a generalidade dos que estão à nossa volta.


Assim, a maioria dos que não conhecemos, e se cruzam diariamente connosco no espaço público, têm para cada um de nós algum grau de desconfiança.


Muitos factos, difundidos e ampliados pelos órgãos de comunicação social contribuem para um clima social em que a confiança é frágil e a segurança nunca é suficientemente sentida.


Todavia esta situação vem de mais longe, e é mais profunda, como retrata a expressão, “anda meio mundo a enganar outro meio”, ou um dos conselhos mais comuns, dos pais aos filhos ainda infantes, recomendando-lhes “não conversar, nem aceitar nada, de estranhos”.


Na verdade, nas grandes cidades o anonimato social prevalece cada vez mais em relação à comunicação interpessoal, estando criadas condições para o aumento da criminalidade, em todos os seus níveis e formas; e apesar do aumento exponencial dos meios de segurança, activos e passivos, o contexto social actual propicia a existência de um sentimento generalizado de insegurança que se projecta, também, numa desconfiança generalizada em relação à maioria dos que connosco se cruzam.


Não creio que o único caminho, nem o melhor, seja tornar os processos de segurança cada vez mais complexos, demasiado dependentes apenas dos avanços tecnológicos, de forças policiais, ou empresas de segurança, cada vez mais bem equipadas, que se apoiam numa legislação, e praxis, muitas vezes permissiva, quando não abusiva, no que respeita ao respeito pela dignidade individual.


Tudo isto nos afastará cada vez mais uns dos outros, isolando-nos em “ilhas” (condomínios habitacionais ou mentais) que culminam na solidão dos idosos, mas que começam bem mais cedo, na solidão crescente (galopante?!) dos corações e das mentes. Desde a infância e juventude.


Para atenuar estas consequências cada um de nós pode ter uma palavra a dizer, ou seja, uma atitude a tomar. O compromisso TEO é uma das possibilidades.


Porque, se não for corrigido ou atenuado, onde nos pode conduzir este contexto social (e cada vez mais mental)?


Como vamos responder à crise de valores? Como vamos construir uma sociedade melhor? Que presente, e futuro, transmitimos aos nossos filhos, se a base da convivência social permanecer contaminada pela desconfiança generalizada?